«Jovens, chegou o tempo de tomarem consciência de que vos cabe a vós transmitir aos outros a confiança em Deus», disse o irmão Alois, prior da comunidade monástica que reúne católicos e protestantes. Na última oração comunitária do encontro que, desde sábado, reuniu seis mil participantes enchendo diariamente o pavilhão Dragão-Caixa e a Igreja da Trindade, o prior de Taizé acrescentou que «há uma nova sede de interioridade».
O irmão Alois desafiou ainda os jovens a serem «missionários do Evangelho na vida quotidiana». E referindo-se aos saberes de cada um, acrescentou que eles devem ser postos ao serviço dos demais: «Não podemos aceitar que aumentem as desigualdades no mundo, que apenas alguns beneficiem da prosperidade económica, enquanto a grande maioria experimenta a pobreza. Queremos escolher a simplicidade de vida para promover a partilha, a solidariedade, a utilização responsável dos recursos do nosso planeta.»
O ambiente vivido na última noite (os jovens regressaram na tarde de ontem a suas casas) era de fim de festa e muita animação. Durante o dia nos transportes públicos, e antes da oração, no jantar servido em piquenique, dezenas de grupos desafiavam-se mutuamente com os mais diversos cânticos religiosos ou canções profanas. Nos corredores de acesso ao Estádio do Dragão, havia mesmo quem aproveitasse o tempo de Carnaval para distribuir o jantar mascarado.
Na vigília de oração, feita sob o tema da luz, milhares de pequenas velas foram distribuídas. A dada altura, uma criança acende a sua vela no grande círio colocado no centro e passa a luz a outra. Em três minutos, o pavilhão semi-obscurecido fica inundado de pontos luminosos.
«Entoemos hinos, louvai a Deus terra inteira, aleluia», cantavam os jovens, enquanto a luz se multiplicava de mão em mão. Instantes que recordavam o poema de Jorge de Sena: «Uma pequenina luz bruxuleante (…)/ aqui no meio de nós e a multidão em volta/ une toute petite lumiére/ just a little light/ una piccola…em todas as línguas do mundo/ uma pequena luz bruxuleante/ brilhando incerta/ mas brilhando/ aqui no meio de nós»…
Já no final, o bispo do Porto, que convidou a comunidade de Taizé a vir a Portugal, anunciou que haverá seis igrejas da cidade onde se continuará a rezar desta forma renovada. E, à semelhança do que acontece com a comunidade de origem francesa, o espírito ecuménico passou pelo Porto: os bispos das igrejas Metodista e Lusitana participaram também em vários momentos do encontro.
Ao fim de poucos minutos, extinguiram-se os pavios das velas enquanto o cântico terminava. Mas o irmão Alois pedia que se cantasse: «A alma que anda no amor nem cansa nem se cansa»…
16.02.2010
Taizé, Irmão Alois
Taizé, Irmão Alois
