brisa suave

"Disse-lhe, então, uma voz: «Que fazes aqui, Elias?»" Deus confirma a Elias a vocação. Não há trovões nem tremores de terra, mas apenas «o murmúrio de uma brisa suave» (v. 12), «o murmúrio do silêncio». Elias é reconduzido à sua interioridade, para encontrar, na gruta do coração, o Senhor que lhe dará força para prosseguir a caminhada.

«A alma que anda no amor nem cansa nem se cansa»

Os monges da comunidade de Taizé (França) apelaram aos jovens de 25 países da Europa reunidos no encontro do Porto que ontem terminou para que sejam missionários, mesmo junto de quem não crê.

«Jovens, chegou o tempo de tomarem consciência de que vos cabe a vós transmitir aos outros a confiança em Deus», disse o irmão Alois, prior da comunidade monástica que reúne católicos e protestantes. Na última oração comunitária do encontro que, desde sábado, reuniu seis mil participantes enchendo diariamente o pavilhão Dragão-Caixa e a Igreja da Trindade, o prior de Taizé acrescentou que «há uma nova sede de interioridade».

O irmão Alois desafiou ainda os jovens a serem «missionários do Evangelho na vida quotidiana». E referindo-se aos saberes de cada um, acrescentou que eles devem ser postos ao serviço dos demais: «Não podemos aceitar que aumentem as desigualdades no mundo, que apenas alguns beneficiem da prosperidade económica, enquanto a grande maioria experimenta a pobreza. Queremos escolher a simplicidade de vida para promover a partilha, a solidariedade, a utilização responsável dos recursos do nosso planeta.»

O ambiente vivido na última noite (os jovens regressaram na tarde de ontem a suas casas) era de fim de festa e muita animação. Durante o dia nos transportes públicos, e antes da oração, no jantar servido em piquenique, dezenas de grupos desafiavam-se mutuamente com os mais diversos cânticos religiosos ou canções profanas. Nos corredores de acesso ao Estádio do Dragão, havia mesmo quem aproveitasse o tempo de Carnaval para distribuir o jantar mascarado.

Na vigília de oração, feita sob o tema da luz, milhares de pequenas velas foram distribuídas. A dada altura, uma criança acende a sua vela no grande círio colocado no centro e passa a luz a outra. Em três minutos, o pavilhão semi-obscurecido fica inundado de pontos luminosos.
«Entoemos hinos, louvai a Deus terra inteira, aleluia», cantavam os jovens, enquanto a luz se multiplicava de mão em mão. Instantes que recordavam o poema de Jorge de Sena: «Uma pequenina luz bruxuleante (…)/ aqui no meio de nós e a multidão em volta/ une toute petite lumiére/ just a little light/ una piccola…em todas as línguas do mundo/ uma pequena luz bruxuleante/ brilhando incerta/ mas brilhando/ aqui no meio de nós»…

Já no final, o bispo do Porto, que convidou a comunidade de Taizé a vir a Portugal, anunciou que haverá seis igrejas da cidade onde se continuará a rezar desta forma renovada. E, à semelhança do que acontece com a comunidade de origem francesa, o espírito ecuménico passou pelo Porto: os bispos das igrejas Metodista e Lusitana participaram também em vários momentos do encontro.

Ao fim de poucos minutos, extinguiram-se os pavios das velas enquanto o cântico terminava. Mas o irmão Alois pedia que se cantasse: «A alma que anda no amor nem cansa nem se cansa»…
16.02.2010
Taizé, Irmão Alois

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Este blog quer partilhar notícias, reuniões, pensamentos e reflexões mas sobretudo a experiência missionária em que participo a partir de hoje, dia 28 de Fevereiro.
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